Depois de passar por um restauro concluído em 2022 e por um período de retomada parcial de atividades, o Museu da Abolição (MAB), no bairro da Madalena, apresenta, agora, um projeto museográfico formado por exposições concebidas especialmente para seu espaço, seu acervo e sua missão institucional.
A abertura será na segunda-feira (15), às 18h, com as exposições “Que herança você vai poder?” e “Restituir o Possível”.
Exposições
Ocupando o primeiro piso do sobrado, a exposição “Que herança você vai poder?” reúne 29 artistas e 31 obras – entre produções do acervo do museu. A exposição parte de uma pergunta estruturante: “O que restou, de fato, após 1888?”, ano em que foi formalizada a Lei Áurea.
Com curadoria de Alex de Jesus e equipe de consultores, a exposição questiona as heranças que foram ofertadas e pergunta: “o que com elas vamos poder?”. O percurso da mostra é distribuído em três eixos: presente, passado e futuro. As obras de cada uma das seções vem tensionar e refletir sobre essas heranças.
Já no piso térreo, nas salas destinadas às exposições temporárias, o MAB apresenta “Restituir o Possível” que apresenta um recorte do Acervo de Cultura Material Africana do Instituto Brasileiro de Museus/ MAB, composto por 109 peças – esculturas, máscaras e regalias – provenientes de 12 países africanos e mais de 20 etnias.
Com curadoria de Isabelle de Oliveira Ferreira e Wellington Ricardo da Silva (coletivo Mandume Cultural), o acervo é testemunho de cosmologias e tecnologias que o olhar colonial tentou reduzir a categorias fixas e chegou ao museu em 2016, por meio da Lei Federal nº 12.840/13, que destina bens culturais apreendidos pela Receita Federal a museus federais.
Ainda no piso térreo, logo na entrada do MAB, na Sala Memorial, será possível conhecer um pouco sobre a história do sobrado que abriga o equipamento e também como se deu a fundação da instituição.
Reabertura
O espaço foi reaberto ao público após as obras e recebeu diferentes iniciativas culturais, mas, até agora, nenhuma exposição havia sido realizada. As mostras abrem na segunda-feira (15) e inauguram uma nova etapa institucional.
Memória
O museu tem como missão preservar, pesquisar, divulgar e difundir a memória, os valores históricos, artísticos e culturais e o patrimônio material e imaterial dos afrodescendentes, busca estimular a reflexão e o pensamento crítico sobre a abolição e seus desdobramentos para a construção da identidade e cidadania brasileiras.
As obras de restauração arquitetônicas, que aconteceram entre 2020 e 2022, incluíram a recuperação da estrutura do casarão, tombado como patrimônio nacional em 1966. Além da revitalização do jardim, o museu recebeu novo projeto paisagístico, instalação de uma arena de eventos coberta na área externa e construção do prédio anexo para abrigar lojas e café.
De acordo com informações da assessoria de imprensa do MAB, o projeto foi financiado com recursos do FDD (Fundo de Defesa de Direitos Difusos, vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e gerido pela Secretaria Nacional do Consumidor). Também houve descentralização de recursos do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), para firmar parceria com a UFPE, que realizou o trabalho curatorial.
O museu
A sede do Museu da Abolição é o Sobrado Grande da Madalena, casarão tombado como patrimônio nacional em 1966 e que tem uma história intimamente ligada à abolição.
O museu foi criado em 1957, pelo então presidente Juscelino Kubitschek, em homenagem ao antigo residente abolicionista, João Alfredo Corrêa, primeiro-ministro de D. Pedro II, responsável por assegurar a aprovação parlamentar da Lei Áurea (13 de maio de 1888) e por ter papel decisivo na promulgação da Lei do Ventre Livre (1871).
SERVIÇO
Exposições “Que herança você vai poder?” e “Restituir o possível”
Abertura: segunda-feira (15), às 18h
Onde: Museu da Abolição – Rua Benfica, 1150, Madalena – Recife-PE
Visitação: A partir de terça-feira (16) – Segunda a sexta, das 9h às 17h / Sábado, das 13h às 17h
Entrada gratuita
Informações: @museudaabolicao
