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Brasil pode ser potencial exportador de combustível sustentável de aviação

Brasil pode ser potencial exportador de combustível sustentável de aviação

Durante a Assembleia Geral da IATA no Rio de Janeiro, a IATA disse que o Brasil pode produzir até 60 milhões de toneladas de SAF até 2050

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A Associação do Transporte Aéreo Internacional (IATA) defendeu nesta segunda-feira (8), no último dia da Assembleia Geral Anual da entidade, que o Brasil reúne condições para se tornar uma potência global na produção de combustível sustentável de aviação (SAF), com potencial para desempenhar papel relevante na descarbonização do transporte aéreo mundial, ampliar a segurança energética e impulsionar a economia nacional.

Segundo a IATA, a indústria aérea precisará de aproximadamente 500 milhões de toneladas de SAF para cumprir a meta de neutralidade líquida de emissões de dióxido de carbono (CO₂) até 2050. Nesse cenário, o Brasil poderia responder por uma parcela significativa da oferta global.

A entidade estima que o Brasil disponha de cerca de 180 milhões de toneladas de biomassa até 2050, volume capaz de gerar aproximadamente sessenta milhões de toneladas de SAF.

No horizonte de 2030, o etanol de cana-de-açúcar produzido de forma sustentável, combinado com matérias-primas derivadas de óleos residuais e vegetais, poderia alcançar cerca de dezoito milhões de toneladas. Esse volume permitiria uma produção estimada de doze milhões de toneladas de combustível sustentável de aviação.

De acordo com a IATA, essa capacidade potencial corresponde a cinco vezes a produção global prevista para 2026, estimada em 2,4 milhões de toneladas.

Atualmente, o país possui aproximadamente 15 projetos de SAF em desenvolvimento. Caso todos sejam concluídos, poderão adicionar cerca de 2 milhões de toneladas do combustível ao mercado.

O Brasil tem todos os ingredientes para ser uma potência global de SAF. Possui uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, além de matéria-prima abundante. Como o segundo maior produtor de biocombustíveis líquidos do mundo, o país se beneficia de uma profunda expertise e de uma infraestrutura já desenvolvida”, disse Willie Walsh, Diretor-Geral da IATA.

Segundo Walsh, o desenvolvimento da indústria de combustíveis sustentáveis de aviação poderá gerar empregos, reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e criar novas oportunidades nos setores energético e agrícola.

Vantagens competitivas

A IATA destaca que a experiência brasileira na produção de etanol e a infraestrutura de refino já existente representam vantagens competitivas para a expansão da produção de SAF.

A entidade avalia que essas condições favorecem tanto a ampliação da rota tecnológica HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids) quanto o desenvolvimento de processos avançados, incluindo a conversão de etanol em combustível de aviação. Esse cenário poderia posicionar o Brasil como exportador líquido de SAF nos próximos anos.

Além da disponibilidade de matéria-prima, a cadeia produtiva envolveria atividades ligadas à agricultura, logística, infraestrutura, refino, produção de combustíveis avançados e exportação, ampliando os efeitos econômicos do setor.

Desafios

Apesar do potencial identificado, a produção de SAF no Brasil ainda se encontra em estágio inicial.

Para alcançar escala industrial, a IATA aponta a necessidade de investimentos em tecnologias de conversão, expansão da infraestrutura e melhorias logísticas que permitam integrar as regiões produtoras de biomassa às futuras unidades de processamento.

A entidade também defende mecanismos de financiamento mais robustos e incentivos direcionados à produção, além da harmonização das políticas nacionais com padrões internacionais de sustentabilidade.

Sistema de certificação

Outro ponto destacado pela associação é a adoção do modelo conhecido como book-and-claim, sistema baseado em certificados negociáveis de SAF que permite atribuir benefícios ambientais independentemente da localização física do combustível.

Segundo a IATA, a previsão desse mecanismo no âmbito do programa brasileiro Combustível do Futuro, por meio do ProBioQAV, pode facilitar a integração do mercado nacional às estruturas internacionais de descarbonização da aviação, incluindo o esquema Corsia, desenvolvido pela Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO).

A entidade ressalta que o cronograma de implementação das políticas públicas será determinante para garantir a disponibilidade de combustível sustentável antes da entrada em vigor de eventuais exigências de consumo obrigatório.

O Brasil possui muitas vantagens — tanto em termos de recursos naturais quanto de vasta experiência — que devem garantir ao país um papel de liderança mundial nos mercados de SAF. A escala do potencial brasileiro é tamanha que os retornos econômicos podem ser transformadores”, declarou Marie Owens Thomsen, Vice-Presidente Sênior de Sustentabilidade e Economista-Chefe da IATA.

A executiva acrescentou que o alinhamento das políticas nacionais aos padrões globais e a programas como o Corsia será fundamental para ampliar a competitividade do país e viabilizar a expansão da produção de combustível sustentável de aviação.





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