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Uma produção pequena, cruel e estranha prova que o Prime Video ainda guarda surpresas para fãs de suspense

Uma produção pequena, cruel e estranha prova que o Prime Video ainda guarda surpresas para fãs de suspense

Sobressair-se em meio aos simples mortais, descobrir-se superior que a maioria das pessoas comuns que enchem o mundo, achar o elemento mágico que permite que subamos do rés do banal e do ordinário da condição humana mesma e revistamo-nos de uma aura mística qualquer, não transcendental, mas vigorosa o bastante para nos fazer passar de vis pecadores para um híbrido de santo, feiticeiro e mártir poderia ser a solução de muitos de nossos problemas. Se a natureza divina se faz presente em todos os seres, animados ou inanimados, racionais ou não, como pensou Baruch Spinoza (1632-1677), o Criador seria também capaz de juntar num único ser a constituição infalível que o difere de qualquer outra entidade, e a matéria, perecível e dúbia, que nós conhecemos tão bem. “Em Nome do Pai” mira Deus e de que maneira certos homens O veem, explicitando a confusão deliberada em torno da necessidade de se guardar a fé e de se estar sempre atento aos propósitos nada ingênuos que visam a manter aceso o interesse nas coisas do Altíssimo. Numa mistura de terror psicológico, nonsense e erotismo, Brad Helmink e John Rauschelbach pretendem atingir o coração do espectador no que ele pode ter de mais genuíno e, a um só tempo, de mais frágil, com pontos de vista indigestos sobre um mal-estar da civilização.

Dai de beber aos que têm sede

“Se Deus não existe, tudo é permitido”. De alguma maneira, a célebre frase de Dostoiévski alude às palavras de Jesus ditas a Pedro e registradas por Mateus sobre sermos livres para fazer o que diz nossa humana vontade, desde que saibamos que pagaremos um preço. O filme rompe de um jeito nada original, mas cumprida a penitência, somos recompensados. Três amigos batem à porta de um ermitão que mora com a família numa propriedade a muitos quilômetros da vizinhança. Harold e Betty são um casal satisfeito com sua rusticidade, ponto desafetado e central no roteiro. Quando entram na equação Maggie e Sarah, as filhas moças de beleza virginal, o enredo vai passando ao questionamento filosófico da figura de Harold, o falso profeta vivido por Bruce Davison, excitado pelo desejo de ter seu quinhão de glória com a interpretação convenientemente patriarcalista das Escrituras. Desde o princípio, resta evidente que é para Davison que devemos olhar — o que não anula o ótimo desempenho de Holly Taylor e Rita Volk. Afinal, o diabo mora nas entrelinhas.



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