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Quem é pai e mãe vai entender o desespero de Halle Berry em thriller na Netflix

Quem é pai e mãe vai entender o desespero de Halle Berry em thriller na Netflix

Há situações que qualquer pai ou mãe teme imaginar. Um descuido de poucos segundos em um lugar movimentado. Uma distração banal. Um telefonema. Uma conversa. Então a criança desaparece. É exatamente desse medo universal que nasce “O Sequestro”, thriller lançado em 2017 sob direção de Luis Prieto. A trama acompanha Karla Dyson (Halle Berry), uma mãe solteira que vê seu filho Frankie (Sage Correa) ser sequestrado durante um passeio e decide perseguir os criminosos por conta própria quando percebe que esperar ajuda pode custar tempo demais.

Karla vive uma rotina simples. Trabalha como garçonete, enfrenta problemas ligados à guarda do filho e tenta construir uma vida estável para o menino. Durante um passeio em um parque de diversões, ela se afasta por instantes para atender uma ligação relacionada ao processo de custódia. Quando retorna, Frankie desapareceu.

A sequência é construída para provocar desespero. Karla corre entre brinquedos, barracas e corredores do parque procurando pelo filho. O pânico cresce a cada minuto até que ela vê uma mulher arrastando Frankie para dentro de um carro. Sem pensar duas vezes, tenta impedir a fuga. Não consegue. O veículo parte e leva consigo a única pessoa que realmente importa para ela.

Perseguição sem fim

A partir desse momento, “O Sequestro” praticamente se transforma em uma perseguição contínua. Karla entra em sua minivan e passa a seguir os sequestradores por estradas, rodovias e áreas rurais. O detalhe que torna a situação ainda mais desesperadora é que seu telefone cai durante a tentativa de impedir o sequestro. Ela perde o principal meio de comunicação justamente quando mais precisa dele.

Enquanto acompanha o carro dos criminosos, Karla tenta chamar atenção de motoristas, acionar policiais e conseguir qualquer tipo de auxílio. Nada acontece da maneira esperada. Cada tentativa gera um novo problema. Acidentes surgem pelo caminho. Pessoas inocentes acabam envolvidas. Viaturas aparecem e desaparecem. A sensação é a de que a protagonista está sempre a poucos metros de recuperar Frankie e, ao mesmo tempo, a quilômetros de realmente alcançá-lo.

Os sequestradores também não são retratados como amadores. Margo (Chris McGinn) e Terrence Vicky (Lew Temple) sabem exatamente o que estão fazendo. Eles mudam de rota, criam obstáculos, usam o menino para intimidar Karla e aproveitam qualquer oportunidade para aumentar a distância. A perseguição ganha um aspecto quase obsessivo porque nenhum dos lados parece disposto a desistir.

Protagonista que carrega a história

A atuação de Halle Berry é o que segura o filme. A atriz passa boa parte da duração do longa dentro de um carro, falando sozinha, chorando, gritando e tentando manter o controle emocional enquanto tudo ao redor parece desmoronar. Em muitos momentos, ela carrega a narrativa praticamente sem apoio de outros personagens. O espectador acompanha seu desgaste físico e psicológico em tempo real.

Existe uma honestidade interessante nessa construção. Karla não possui treinamento militar. Não é policial. Não é investigadora. Não tem habilidades especiais. Ela é apenas uma mãe aterrorizada tentando impedir que o filho desapareça. Essa escolha aproxima a personagem do público e torna várias decisões mais compreensíveis, mesmo quando parecem impulsivas ou perigosas.

Direção simples

Luis Prieto faz uma narrativa simples e extremamente objetiva. O filme não busca grandes mistérios nem desenvolve tramas paralelas elaboradas. Seu interesse está concentrado em uma única pergunta. Onde está Frankie e quanto tempo ainda resta para encontrá-lo?

Essa simplicidade tem vantagens e limitações. Por um lado, mantém o ritmo acelerado durante quase toda a projeção. Por outro, alguns personagens secundários recebem pouco desenvolvimento. Os sequestradores existem principalmente para alimentar a tensão da busca e não para apresentar camadas psicológicas mais profundas.

Ainda assim, a escolha funciona dentro da proposta. “O Sequestro” pertence à categoria de thrillers que apostam em um conceito forte e sustentam toda a narrativa a partir dele. O desaparecimento de Frankie é o motor de cada cena. Tudo gira em torno da tentativa de Karla de impedir que o garoto desapareça dentro de uma engrenagem criminosa maior do que ela imaginava.

O aspecto mais interessante da obra talvez seja a maneira como trata a impotência. Em vários momentos, Karla cruza com policiais, testemunhas e pessoas que poderiam ajudá-la. Mesmo assim, ela percebe que os procedimentos normais levam tempo. E tempo é exatamente aquilo que ela acredita não possuir. O filme transforma essa urgência em combustível dramático e mantém a tensão elevada durante boa parte da projeção.

Sem grandes pretensões artísticas, “O Sequestro” entrega aquilo que promete. É um suspense de perseguição construído sobre um medo profundamente humano. Luis Prieto compreende que a força da história não está nos criminosos nem nas cenas de ação mais elaboradas. Está no olhar desesperado de uma mãe que se recusa a aceitar que o filho desapareça diante dela. Enquanto houver uma estrada pela frente e a menor chance de alcançar o carro dos sequestradores, Karla continua acelerando. E é essa obstinação que mantém o filme em movimento do primeiro ao último minuto.



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