As redes sociais acabaram tornando-se laboratórios de manipulação sentimental. Exposições constantes a vidas editadas corroem a autoestima e instalam um mecanismo que realça desigualdades. Relações humanas passam a ser dimensionadas pelo alcance das performances e o afeto é, simplesmente, uma transação comercial, baseada em likes. “Intenções Cruéis” é um recorte bastante específico do vale tudo do novíssimo mundo digital, e ainda que a diretora Sabrina Jaglom estique a corda em vários momentos, não se pode classificar como delírio o que se assiste ao longo dos dinâmicos 83 minutos. Jaglom e o corroteirista Rishi Rajani valem-se dessa premissa para discorrer sobre o universo de psicopatias que esconde o tal algoritmo.
Antes que o filme comece, já se sabe que o assunto é espinhoso. Jane, a personagem-título do original, cometera suicídio há pouco tempo, e quase tudo de relevante que o enredo vai contemplar passa por esse ponto. Como a grande maioria das pessoas, Jane tinha perfil numa rede social, e Olivia, uma de suas amigas mais chegadas, é quem assume a página, desencadeando um mal-estar que não demora a ser também fonte de crimes. Jaglom é hábil em torcer a fórmula até que seu longa de estreia transfira-se do nicho das produções para jovens adultos e ganhe uma aura mais sólida, meio noir, sem abandonar o propósito de analisar uma juventude doente. Olivia é uma das alunas mais aplicadas da Escola Greenwood para Meninas, mas seu alvo é Stanford, a universidade no Vale do Silício frequentada por geniozinhos da cibercultura. E nada nem ninguém a deterá.
O eixo do filme move-se em torno de Olivia, suas ambições e como age para atingir seus objetivos, mas a certa altura, a diretora passa a também incluir personagens secundários que superam expectativas e revelam detalhes aparentemente irrelevantes, mas que tornam mais rica a abordagem. Madelaine Petsch investe no cinismo de Olivia, dando ênfase aos gestos egoístas que mal disfarçam uma necessidade de atenção sem limite, ao passo que a Camille de Nina Bloomgarden cristaliza o potencial de ruína de que “Intenções Cruéis” quer falar desde o início. Izzy é mais uma a experimentar a fúria de Olivia, e Chloe Bailey é um achado. No desfecho, o público fica afinal convencido de que a perversão das redes não é nada perto da injustiça que toma conta da vida como ela é.
Filme:
Intenções Cruéis
Diretor:
Sabrina Jaglom
Ano:
2022
Gênero:
Drama/Suspense
Avaliação:
8/10
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Giancarlo Galdino
★★★★★★★★★★
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