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8 indicações ao Oscar: o melhor filme de 2026 chegou ao Brasil

8 indicações ao Oscar: o melhor filme de 2026 chegou ao Brasil

Baseado no romance de Maggie O’Farrell, “Hamnet”, dirigido por Chloé Zhao, é um dos principais indicados ao Oscar de 2026 e surge com força real nas categorias mais importantes da temporada. Isso por si só já dimensiona a potência do filme. Zhao constrói uma obra delicada e devastadora ao mesmo tempo. O enredo acompanha Hamnet, filho de William Shakespeare (Paul Mescal) e Agnes (Jessie Buckley), morto aos 11 anos. O drama mergulha na tragédia que atinge a família, na vida que antecede a perda e, principalmente, nas consequências emocionais que recaem sobre os pais.

“Hamnet” é um dos filmes que mais me impactou nesta temporada. É difícil não se deixar abalar pelo peso da história e pela atuação de Jessie Buckley, que entrega uma performance com a força de um soco no estômago. Minha torcida para Melhor Atriz é, sem dúvidas, dela. Paul Mescal também encontra o tom certo ao interpretar um homem dividido entre o distanciamento físico imposto pela carreira e a dor íntima que tenta conter. Ele oferece um Shakespeare humano, falho, silenciosamente dilacerado.

Ambientado no século 16, mais precisamente em 1596, o filme dialoga diretamente com o presente. A pressão da maternidade, a sobrecarga feminina, a facilidade com que relativizamos a ausência paterna e a naturalização do distanciamento emocional dos homens são temas que atravessam a narrativa. E é preciso lembrar: sabemos muito pouco sobre a vida pessoal de Shakespeare e sua família. Além de registros oficiais, como batismo, casamento, testamento, óbito, o restante é especulação. Não há certezas absolutas, apenas lacunas que a literatura e o cinema tentam preencher.

Com fotografia naturalista e paisagens idílicas filmadas no País de Gales, o longa começa no período em que William e Agnes se conhecem, se apaixonam e se casam. A chegada da primeira filha revela tensões domésticas: o choro da bebê incomoda Will, que associa a criança à dificuldade de concentração para escrever. Enquanto isso, Agnes, profundamente conectada à natureza e à espiritualidade, assume praticamente sozinha o cuidado da filha. A gravidez dos gêmeos traz uma inquietação íntima. Agnes acreditava que, no momento de sua morte, teria dois filhos chorando por ela. Agora eram três. Judith nasce frágil, e a mãe passa a vê-la como alguém que exige atenção constante, como se a morte estivesse sempre à espreita.

Mas a morte escolhe outro caminho. Quem parte é Hamnet, o gêmeo de Judith, vítima da peste aos 11 anos. O único filho homem morre enquanto o pai está em Londres, em mais uma de suas temporadas longe de casa. Sobre Agnes recaem o peso da criação dos filhos e a culpa por não ter conseguido salvá-lo. Buckley encarna o luto de maneira crua, incômoda, quase física. É impossível não sentir o vazio que a personagem carrega. Mescal compõe um Shakespeare mais contido, aparentemente racional, mas atravessado por uma dor que corrói em silêncio.

É no teatro que ele encontra uma tentativa de organizar o caos. Na escrita de “Hamlet”, surge uma forma de dar contorno à perda. A peça fala de morte, de fantasmas, de ausência. Não trata explicitamente da morte de um filho, mas evoca revolta, desespero e a tentativa de ressignificar o luto. Zhao não afirma nada de maneira categórica, e talvez seja aí que o filme acerta: trabalha no território das possibilidades emocionais, não das certezas históricas.

Filme:
Hamnet

Diretor:

Chloe Zhao

Ano:
2025

Gênero:
Biografia/Drama/História/Romance

Avaliação:

10/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

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