Categories: Cultura

7 livros que você lê em um dia e nunca mais esquece

Sete livros breves, intensos, atravessam o leitor por caminhos distintos e convergentes: a delicadeza do vínculo, o peso do desejo, a memória do corpo, a precisão da perda, a resistência cotidiana. Em “O Castelo de Gelo”, de Tarjei Vesaas, Siss e Unn descobrem uma amizade que muda a luz do inverno; quando o palácio erguido pela água as convoca, a aldeia precisa reaprender a respirar. Em “O Diabo no Corpo”, de Raymond Radiguet, um narrador adolescente relata o caso com Marthe enquanto o marido dela combate, e a frieza do relato ainda hoje escandaliza por dizer o que muitos preferem calar. “O Quarto Branco”, de Gabriela Aguerre, acompanha Glória quando regressa a Montevidéu após a perda gestacional; o luto do corpo atiça gavetas políticas e familiares, e a cidade devolve espelhos que a identidade precisava enfrentar. Annie Ernaux, em “O Acontecimento”, reconstitui o aborto clandestino de 1963 com rigor de caderno: endereços, vozes, portas fechadas; o íntimo aparece como arquivo de época. “Vermelho Amargo”, de Bartolomeu Campos de Queirós, devolve a infância ao lugar das coisas concretas: o tomate cortado pela madrasta, a mesa, a ausência da mãe; poucas páginas sustentam um mundo de silêncio. Em “Fup”, de Jim Dodge, a Califórnia vira território de lealdades improváveis entre Granddaddy Jake, Tiny e um pato obstinado; humor e ternura funcionam como ética doméstica de sobrevivência. “Devoção”, de Patti Smith, revela a oficina do escrever: cadernos de viagem, uma pequena narrativa sobre a patinadora Eugenia, um repertório de leituras que se torna gesto. O que une esses livros não é tema, extensão ou país, e sim uma aposta comum: a de que intensidade e clareza não dependem de volume. Lidos em um dia, deixam rastros longos; trabalham depois do ponto final. São títulos que se aproximam do leitor sem paternalismo, confiando que a inteligência afetiva entende pausas, lacunas, riscos. De certo modo, compõem um mapa de afetos e tensões: a amizade que não cabe na linguagem, a juventude que confunde liberdade com indiferença, o corpo que reivindica soberania, o menino que aprende a nomear o que falta, a família escolhida, a oficina da palavra. Curto não significa leve; significa necessário. E necessário, aqui, quer dizer preciso: cada cena responde por si e encontra maneira de permanecer. Vêm de Noruega, França, Uruguai, Brasil e Estados Unidos, geografias que convergem no essencial: a prova de que densidade, beleza e verdade cabem em poucas páginas.



Fonte

Redação

Recent Posts

EUA nomeiam nova enviada para a Venezuela após captura de Maduro

Os Estados ‍Unidos nomearam diplomata que já ⁠foi duas vezes embaixadora dos EUA como ‍sua…

7 minutos ago

Casal descobre que sua nova cadela resgatada est prenha de oito filhotes

Quando voc encontra uma cadela linda em um lugar inusitado ou no meio do nada,…

38 minutos ago

O Tarantino indicado a 8 Oscars com Brad Pitt e Christoph Waltz está na Netflix

A primeira linha de ação de “Bastardos Inglórios” é simples de enunciar e difícil de…

46 minutos ago

Apex e Congresso articulam viagem na Europa por acordo Mercosul-UE

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e o presidente do Congresso…

1 hora ago

Azul lança rota direta entre Campinas e o norte do Mato Grosso

A Azul Linhas Aéreas anunciou nesta quinta-feira (22), a ampliação de sua malha aérea no…

1 hora ago

5 filmes para ver pelo menos uma vez

Alguns filmes ultrapassam o tempo, atravessam gerações e seguem conquistando novos públicos mesmo décadas após…

2 horas ago