Mulheres já são maioria no turismo e começam a liderar negócios e estratégias (Divulgação)

O turismo sempre teve forte presença feminina, principalmente no atendimento e na operação das empresas. Agora, esse movimento começa a ganhar um novo capítulo: cada vez mais mulheres assumem a liderança de negócios e passam a influenciar decisões estratégicas dentro da indústria de viagens.

Segundo dados do Sebrae com base em organismos internacionais, as mulheres representam cerca de 54% da força de trabalho global no turismo. No Brasil, o saldo de admissões femininas no setor chegou a 52,5% em 2024. Mesmo assim, por muitos anos a presença feminina em cargos de decisão ficou abaixo desse número.

Esse cenário vem mudando. De agências de viagens a consultorias estratégicas, mulheres estão criando empresas, assumindo negócios familiares e estruturando novas formas de gestão. O impacto aparece na forma de atender clientes, organizar processos e pensar o crescimento das empresas.

Empreender no turismo exige visão, estratégia e resiliência

Para muitas dessas profissionais, abrir ou assumir um negócio no setor significa lidar com um mercado que mistura paixão, pressão e ciclos econômicos complexos.

Ana Paula Pappa, fundadora da Eleganza Comunica, vê o empreendedorismo feminino como uma combinação de firmeza e sensibilidade. “É um mercado apaixonante, vibrante e exigente. Empreender sendo mulher significa sustentar decisões estratégicas em um setor que lida com sonhos, mas que também movimenta cifras relevantes e enfrenta crises constantes.”

A executiva trabalha com comunicação B2B e observa que a liderança feminina tem aparecido cada vez mais na estrutura das empresas do turismo. “Nem sempre é sobre ocupar um espaço, e sim construir um. E seguir expandindo com propósito.”

Esse olhar estratégico também aparece em consultorias que ajudam agências e operadoras a organizar processos, fortalecer equipes e crescer de forma mais estruturada.

Sucessão familiar e novos modelos de agência

Outro caminho comum no setor é a sucessão de empresas familiares. Muitas mulheres cresceram dentro do turismo e hoje assumem a gestão dos negócios.

Foi o caso de Caroline Giglio, que passou a liderar a Facility Turismo, agência criada pela família há três décadas. Ao assumir a empresa, ela percebeu que poderia ampliar o papel do agente de viagens.

“Eu sentia que as pessoas mereciam mais do que uma tabela de preços. Sempre quis oferecer uma experiência mais completa, um atendimento mais humano e um ambiente mais acolhedor.”

Ao longo dos anos, ela enfrentou transformações profundas no setor, desde mudanças tecnológicas até a pandemia. Para Caroline, a crise reforçou a importância do profissional de turismo. “Quando tudo parou, o agente de viagem fez toda a diferença. Quem passou por esse período aprendeu a lidar com qualquer cenário.”

Histórias semelhantes aparecem em diferentes regiões do país, com profissionais que decidiram abrir suas próprias operações depois de anos trabalhando em grandes empresas.

Novas empresas nascem com foco em experiência

Claudia Tella seguiu esse caminho após mais de uma década atuando como consultora independente em uma grande agência de Campinas. A decisão de abrir sua própria empresa foi planejada, mas também exigiu coragem.

“Sair do seguro e abrir minha própria agência foi uma decisão ponderada e extremamente gratificante. Como mulher, enfrentamos inseguranças, mas também construímos excelência com sensibilidade e atenção aos detalhes.”

Carol Cordeiro também mudou de rota profissional para empreender no turismo. Formada em Economia, decidiu transformar a paixão por viagens em negócio.

“Empreender no turismo é um ato de coragem. Não é só vender viagem. É construir memórias e ajudar famílias a realizarem sonhos.”

Ela lembra que a rotina de quem empreende envolve muitos papéis ao mesmo tempo. “Estamos sempre equilibrando a empresa, a família, prazos de reservas e clientes que querem respostas rápidas.”

Bastidores também ganham liderança feminina

Além das agências de viagens, o protagonismo feminino também aparece em áreas menos visíveis do mercado, como consultoria, gestão e planejamento financeiro.

Ivete Nakano, da Nakano Consultoria, construiu carreira no turismo de luxo antes de abrir sua própria empresa. Hoje ajuda agências a estruturar processos e organizar crescimento.

“Eu empreendo no turismo com a coragem de quem saiu do corporativo para recomeçar do zero. O que mais me inspira é ver empreendedores ganhando estrutura, confiança e fôlego para evoluir.”

A gestão financeira também ganhou espaço com especialistas como Cris Mello, da M66 Consultoria, focada em controladoria para empresas do setor.

“Ser mulher empreendendo significa muitas vezes provar em dobro a capacidade técnica. Meu propósito é ajudar micro e pequenas empresas do turismo a crescer com consciência financeira.”

Para Marisa Vianna, fundadora da Xmart Consultoria & Marketing, manter uma empresa sólida por décadas no Brasil exige visão de longo prazo.

“Liderança não é imposição, é consistência. É aparecer todos os dias, mesmo nos ciclos difíceis.”

Um movimento que cresce dentro do turismo

A presença feminina no empreendedorismo acompanha uma tendência mais ampla no país. No turismo, esse avanço começa a aparecer em empresas mais estruturadas, marcas com identidade clara e modelos de gestão que valorizam relacionamento, experiência e estratégia.

Em um setor conhecido pela instabilidade econômica e pelas mudanças constantes, essas lideranças mostram que o crescimento do turismo brasileiro passa também pela diversidade de olhares dentro do mercado.