O cinema internacional é capaz de expandir horizontes e transportar o espectador para realidades que vão além das fronteiras de Hollywood. Aliás, o resto do mundo se parece muito com os Estados Unidos, então, quando é possível ver algo mais próximo e tangível, é um alívio impressionante. Graças aos streamings, produções de língua não inglesa vem alcançando mais público, conquistando espaço nas premiações e oferecendo histórias mais íntimas, ousadas e capazes de abordar questões universais a partir de olhares singulares.
Essa pluralidade torna filme de outros idiomas um convite para explorar o resto do mundo. A fragilidade da infância, retrato contundente da maternidade, da memória, da juventude e do trauma coletivo. Mais que contar histórias, esses filmes desafiam a forma como olhamos para o cinema e para nós mesmos. Outras narrativas abrem caminhos para descobrir emoções e problemas humanos que são universais.
Ainda bem que o streaming democratizou a produção de filmes. Entre dramas sensíveis, relatos históricos e fábulas contemporâneas, aqui está uma seleção do que há de mais precioso de outros países na Netflix.
A Sociedade da Neve (2023), J. A. Bayona
Um avião com jovens jogadores de rúgbi cai nos Andes, deixando os sobreviventes presos em condições extremas. Entre frio, fome e o isolamento absoluto, eles precisam encontrar forças para resistir diante do impossível. Com o passar dos dias, decisões impensáveis tornam-se necessárias, testando os limites da moralidade e da sobrevivência humana. A narrativa acompanha tanto o desespero quanto a solidariedade entre os que restaram, revelando um retrato visceral do instinto humano de lutar pela vida. Mais do que uma história de catástrofe, trata-se de um testemunho sobre resiliência, coragem e a capacidade de encontrar esperança no abismo.
Close (2022), Lukas Dhont
Dois meninos inseparáveis compartilham uma amizade intensa, marcada pela cumplicidade e pela ausência de barreiras entre infância e adolescência. Essa ligação, porém, começa a ser questionada pelos colegas da escola, que enxergam proximidade demais onde só havia inocência. Pressionado pela necessidade de se encaixar, um deles passa a se afastar, dando início a uma sequência de mal-entendidos e silêncios que levam a consequências irreversíveis. A história se desenvolve a partir da culpa, da saudade e da dificuldade em expressar sentimentos em uma sociedade que reprime vulnerabilidades, construindo um retrato doloroso sobre o que significa crescer.
A Mão de Deus (2021), Paolo Sorrentino
Um adolescente cresce em Nápoles durante os anos 1980, em meio ao fervor popular causado pela chegada de um lendário jogador de futebol à cidade. Entre o fanatismo esportivo e as descobertas da juventude, ele precisa lidar com tragédias familiares que o forçam a amadurecer antes da hora. A narrativa alterna momentos de humor e lirismo com o peso da perda, transformando o cotidiano em um retrato de formação marcado por imagens intensas, personagens excêntricos e o despertar de um olhar artístico. Trata-se de uma jornada íntima sobre como a dor e a beleza podem coexistir na construção da identidade.
Mães Paralelas (2021), Pedro Almodóvar
Duas mulheres de gerações diferentes se conhecem em uma maternidade, prestes a dar à luz. Uma delas, mais madura, encara a gravidez inesperada como uma nova chance de vida; a outra, ainda adolescente, se vê diante de uma responsabilidade que não compreende totalmente. A convivência entre elas cria um elo improvável, atravessado por segredos familiares, conflitos de identidade e memórias históricas ligadas ao passado não resolvido do país. Entre laços de sangue e verdades ocultas, o filme costura maternidade, política e memória coletiva, revelando como o íntimo e o social se entrelaçam de forma inescapável.
Lazzaro felice (2018), Alice Rohrwacher
Em uma aldeia isolada e arcaica, um jovem camponês vive com uma bondade tão ingênua que parece deslocada do mundo. Sempre disposto a ajudar, ele se torna alvo de exploração por parte dos outros moradores, que abusam de sua generosidade. Quando um acontecimento inesperado rompe o equilíbrio precário daquela comunidade, sua trajetória toma rumos surpreendentes, revelando uma fábula que mistura realismo social com elementos quase mágicos. Entre exploração, amizade e a passagem do tempo, a história questiona até que ponto a pureza pode sobreviver em um mundo marcado pela desigualdade e pela desconfiança.
Um Homem de Sorte (2018), Bille August
Em uma aldeia isolada e arcaica, um jovem camponês vive com uma bondade tão ingênua que parece deslocada do mundo. Sempre disposto a ajudar, ele se torna alvo de exploração por parte dos outros moradores, que abusam de sua generosidade. Quando um acontecimento inesperado rompe o equilíbrio precário daquela comunidade, sua trajetória toma rumos surpreendentes, revelando uma fábula que mistura realismo social com elementos quase mágicos. Entre exploração, amizade e a passagem do tempo, a história questiona até que ponto a pureza pode sobreviver em um mundo marcado pela desigualdade e pela desconfiança.