Poucos gêneros tocam tão fundo quanto o drama. A Revista Bula procurou na Netflix títulos capazes de atravessar qualquer couraça emocional. Nesta seleção, obras que mostram que o poder de uma boa história está menos no espetáculo e mais na verdade que ela carrega. São narrativas sobre perdas e reencontros, coragem e fragilidade, amor e destino. Em comum, todas exploram aquilo que nos torna humanos: a capacidade de sentir, mesmo quando o mundo parece nos empurrar para a apatia.
Esses dramas se movem em ritmos distintos, mas todos compartilham uma mesma essência: o gesto humano de resistir à dor. Da Nova York ferida por uma tragédia global ao cotidiano íntimo de mulheres que se apoiam em meio às convenções sociais, cada história se transforma em um espelho de vulnerabilidade e esperança. Não há sentimentalismo gratuito, e sim emoção genuína, construída por personagens que se desnudam diante do imponderável e aprendem que, às vezes, sobreviver é o ato mais heroico de todos.
A força desses filmes está na sutileza, na pausa entre uma palavra e outra, no olhar que diz mais do que qualquer diálogo. São histórias que nos lembram da beleza de sentir, mesmo quando dói. Da perda que nos faz repensar o amor, da coragem que surge quando o medo domina, da ternura que sobrevive em meio ao caos. Em tempos de distanciamento emocional e ironia excessiva, esses dramas da Netflix são um lembrete necessário: o coração pode até se endurecer, mas o cinema ainda sabe como amolecê-lo.
Caramelo (2025), Diego Freitas
Pedro, um jovem chef de cozinha prestes a realizar o sonho de abrir seu próprio restaurante, vê seus planos desmoronarem após receber um diagnóstico que muda completamente sua vida. Forçado a desacelerar e repensar suas prioridades, ele encontra apoio improvável em um vira-lata caramelo, um cão de rua de olhar doce e temperamento inquieto, que passa a acompanhá-lo em sua jornada de recomeço. Entre caminhadas silenciosas e momentos de ternura, nasce uma amizade que o ajuda a reencontrar o sentido das pequenas coisas e a força para enfrentar o futuro com leveza. Filmado no interior de São Paulo, o longa transforma a figura do cão caramelo, símbolo do afeto e da resistência brasileira, em metáfora de amor incondicional e esperança. Com delicadeza e humor, a história mostra que, às vezes, o verdadeiro sabor da vida está justamente nas pausas que não planejamos.
A Travessia (2015), Robert Zemeckis
Um jovem artista francês decide desafiar a lógica e o medo ao atravessar, sobre um cabo de aço, o vão entre as Torres Gêmeas de Nova York. O ato, mais próximo da loucura do que da razão, transforma-se em um espetáculo de coragem e arte. Guiado pela obsessão de realizar o impossível, ele enfrenta a dúvida, a vertigem e a própria mortalidade. O que poderia ser apenas uma façanha física se torna um gesto poético: um homem equilibrando-se entre vida e morte, beleza e abismo. Um tributo à ousadia humana e à leveza que só a fé no sonho pode sustentar.
Lembranças (2010), Allen Coulter
Um jovem rebelde e desajustado tenta encontrar sentido em sua vida marcada por um trauma familiar e uma relação tensa com o pai. Tudo muda quando ele conhece uma estudante igualmente ferida, e o amor que nasce entre os dois se torna uma tentativa desesperada de cura. À medida que o romance se aprofunda, segredos vêm à tona e o passado retorna com força devastadora. Em meio a gestos de ternura e momentos de descontrole, o casal descobre que o tempo é implacável — e que a beleza da vida está justamente na incerteza de sua duração.
As Torres Gêmeas (2006), Oliver Stone
Dois policiais ficam presos sob os escombros das Torres Gêmeas após os atentados de 11 de setembro. Isolados e feridos, eles lutam contra o desespero enquanto o resgate trava uma batalha impossível para alcançá-los. A esperança se torna o único oxigênio em meio ao concreto e à escuridão. Do lado de fora, famílias esperam, rezam e se agarram à fé de que o reencontro ainda é possível. O filme transforma a tragédia coletiva em uma história profundamente humana sobre resistência, sacrifício e o poder invisível da solidariedade.
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