Há filmes que não se contentam em entreter: eles ensinam, comovem e convidam à reflexão. Em meio a tantas produções passageiras que lotam o catálogo da Netflix, alguns títulos recém-chegados se oferecem algo mais profundo, uma espécie de espelho emocional, que reflete nossas escolhas, falhas e possibilidades de redenção. Essas obras narram histórias de personagens que, em momentos distintos da vida, são forçados a reavaliar o que realmente importa: a família, o propósito, a fé, a humildade ou a simples capacidade de recomeçar. São trajetórias de transformação, em que o erro se converte em aprendizado e a solidão dá lugar a um tipo raro de sabedoria, aquela que nasce do sofrimento.
A Revista Bula selecionou três filmes que mostram a humanidade explorada em suas múltiplas dimensões, frágeis, contraditórias e, ainda assim, profundamente belas. Um jovem em busca de orientação encontra na figura improvável de uma idosa o que nunca recebeu de sua própria família. Um explorador ocidental descobre, no coração do Himalaia, o poder espiritual de uma cultura que o obriga a abandonar o ego e a ambição. E um homem envelhecido, atolado em erros e dívidas morais, tenta reencontrar sentido na vida ao cruzar o país em uma jornada silenciosa de redenção. Cada narrativa, à sua maneira, propõe um retorno à essência, lembrando que o verdadeiro aprendizado não vem do sucesso, mas da capacidade de olhar para trás e seguir em frente com mais consciência.
Assistir a essas histórias é como folhear um manual de humanidade, não no sentido didático, mas na forma como revelam que o amadurecimento é um processo inacabado. As lições não surgem envoltas em grandes discursos, mas nos gestos cotidianos, nas perdas inevitáveis e nas pequenas epifanias que nascem do acaso. Entre o humor terno, a aventura introspectiva e o drama silencioso, esses filmes mostram que aprender é, antes de tudo, desapegar: das certezas, das idealizações e até de quem acreditamos ser. E talvez seja por isso que permanecem conosco muito depois dos créditos finais, porque nos lembram que, por mais turbulenta que pareça a jornada, ainda é possível recomeçar, reconciliar-se e encontrar sentido onde menos se espera.
Aprendendo com a Vovó (2015), Paul Weitz
Uma jovem universitária procura a avó quando descobre uma gravidez inesperada e precisa de ajuda imediata. O reencontro, que começa como um pedido prático de socorro, transforma-se em uma jornada afetiva pelas ruas da cidade, onde as duas buscam dinheiro, conselhos e, sobretudo, entendimento. A idosa, espirituosa e de temperamento difícil, conduz a neta por um dia repleto de reencontros e lembranças — ex-amores, amizades rompidas e feridas que o tempo não curou. Entre diálogos ácidos e confissões inesperadas, avó e neta descobrem o poder da escuta e da empatia. No fim, o que parecia uma simples busca por solução revela-se um processo de cura mútua, em que duas mulheres de gerações opostas se reconhecem na fragilidade e na força uma da outra.
A Mula (2018), Clint Eastwood
Um homem de noventa anos, falido e distante da própria família, aceita um trabalho misterioso para recuperar o que perdeu. Sem saber ao certo no que está se metendo, torna-se transportador de carga para um cartel, cruzando estradas com sua velha caminhonete e um passado que insiste em persegui-lo. O dinheiro rápido lhe devolve o brilho e a vaidade, mas também o coloca frente a escolhas morais cada vez mais pesadas. Em meio a encontros fugazes e lembranças dolorosas, ele tenta reparar o tempo que negligenciou com os que amava. Cada viagem torna-se metáfora de uma vida que correu depressa demais, e de um último esforço para desacelerar e acertar as contas antes do fim.
Sete Anos no Tibet (1997), Jean-Jacques Annaud
Um alpinista austríaco, movido pela ambição e pela glória, parte em uma expedição que termina com sua captura durante a Segunda Guerra Mundial. Fugindo da prisão, ele encontra refúgio em uma cidade sagrada aos pés do Himalaia, onde conhece um jovem líder espiritual que mudará seu destino. O convívio entre o homem arrogante e o monge sereno transforma-se em uma amizade improvável, moldada por silêncios e rituais. À medida que o explorador presencia a invasão chinesa e a perda de um mundo ancestral, ele aprende sobre impermanência, humildade e compaixão. A aventura externa se converte em um mergulho interior, uma travessia espiritual que redefine o sentido de vitória.
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