Alguns filmes causam tamanho impacto que se tornam, também, ferramentas de estudos em escolas de cinema. Obras que ultrapassam os limites do entretenimento para criar novas fórmulas, modelos de narrativas e linguagens audiovisual. Quando um filme passa a ser estudado, significa que sua relevância o tornou um divisor de águas, trouxe uma espécie de revolução estética ou se tornou um clássico moderno fundamental para a compreensão do mundo e do cinema.
Títulos que marcam a evolução da montagem, da construção de personagens e trazem inovações tecnológicas à indústria cinematográfica se tornam eternos materiais de observação. Parecem muito requintados e inacessíveis, mas não é bem assim. Na Netflix, alguns desses títulos repousam sobre suas prateleiras, permitindo que estudantes e cinéfilos revisitem suas lições visuais e narrativas fundamentais.
“Cidade de Deus”, obra-prima brasileira de Fernando Meireles e Kátia Lund, é referência internacional, tendo sido objeto de análise de grandes universidades como Harvard e UCLA pela forma como representa a violência urbana, sua montagem rápida, a estética documental e o realismo social. “Tenet”, de Christopher Nolan, consta nos currículos dos cursos de cinema devido à teoria fílmica, apontada pela revista Sight & Sound como “ousada em manipular o tempo, o som e a montagem”. Enquanto isso, “Medo e Delírio em Las Vegas”, do cineasta Terry Gilliam, é celebrado no contexto acadêmico como um exemplo de cinema pós-moderno, lembrado por sua linguagem cinematográfica com estética psicodélica e narrativa fragmentada, sendo objeto de análises publicadas pela Cineaste Magazine.
Estudar essas obras é entender como o cinema traduz contextos diferentes para linguagem visual, decodificando estruturas sociais, questionando a percepção da realidade e exigindo do espectador decifrar sua lógica interna. Essas obras são verdadeiras matérias-primas para debates profundos, reafirmando seu valor estético, crítico e pedagógico.
Tenet (2020), Christopher Nolan
Um agente secreto é recrutado para impedir um evento que ameaça destruir o mundo, descobrindo uma tecnologia que permite inverter o fluxo do tempo. Em sua missão, ele precisa compreender regras desconhecidas, em que passado e futuro colidem de maneira imprevisível. A trama envolve espionagem internacional, alianças frágeis e segredos que se revelam apenas quando o tempo é manipulado. Cada ação desencadeia consequências que se desdobram ao contrário, desafiando a lógica comum e obrigando o protagonista a aprender novas formas de agir e sobreviver. Entre dilemas éticos e reviravoltas, ele enfrenta a impossibilidade de confiar totalmente em aliados ou prever o que está por vir, mergulhando em um quebra-cabeça temporal de sobrevivência e poder.
Cidade de Deus (2002), Fernando Meirelles e Kátia Lund
Um menino cresce em uma comunidade marcada pela violência, observando a ascensão do tráfico e a transformação de amigos de infância em líderes de gangues. Enquanto tenta escapar do destino que parece predeterminado, ele encontra na fotografia uma possível saída. A história atravessa décadas, revelando o ciclo contínuo de poder e morte que molda a vida dos moradores, onde cada escolha pode ser fatal. Personagens ambiciosos, cruéis ou sonhadores se cruzam em uma engrenagem social implacável, onde a infância é rapidamente devorada pelo crime e a esperança se mistura ao medo. O protagonista, dividido entre pertencer e fugir, narra sua trajetória como testemunha da brutalidade, expondo uma realidade coletiva em que sobrevivência e violência caminham lado a lado.
Medo e Delírio em Las Vegas (1998), Terry Gilliam
Um jornalista e seu advogado partem em uma viagem a Las Vegas com a intenção de cobrir um evento esportivo, mas acabam mergulhados em um turbilhão de drogas e delírios. A narrativa acompanha suas alucinações, paranoias e experiências surreais em hotéis, cassinos e desertos, transformando a jornada em uma exploração grotesca e satírica da cultura americana. A realidade se distorce a cada substância ingerida, criando situações absurdas em que violência, humor e caos se misturam sem fronteiras claras. O protagonista, dividido entre o dever profissional e a fuga existencial, se vê preso em uma espiral de exageros que revela mais sobre a decadência moral de uma sociedade do que sobre o evento que deveria cobrir.
Poucas artes são capazes de dialogar consigo mesmas da forma como o cinema o faz.…
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