Em “Alarme de Incêndio”, o que começa como mais um dia comum em uma escola feminina se transforma rapidamente em um teste de nervos, autoridade e sobrevivência. Dirigido por Khalid Fahad, o filme acompanha um grupo de alunas e professoras quando um incêndio explode no porão do prédio e interrompe a rotina com violência súbita. A emergência não surge como espetáculo, mas como interrupção brutal, impondo decisões imediatas a quem não tem preparo nem margem para erro.
Entre as estudantes, destacam-se personagens interpretadas por Alshaima’a Tayeb e Khairia Abu Laban, jovens que tentam entender o que está acontecendo enquanto lidam com o pânico coletivo. Elas não lideram por vocação heroica, mas por necessidade prática: alguém precisa encontrar saídas, organizar colegas e evitar que o medo paralise todo mundo. O filme observa essas tentativas sem romantizar, mostrando como cada escolha custa tempo, energia e confiança.
Do lado dos adultos, a professora vivida por Adwa Fahad assume um papel central ao tentar manter algum tipo de controle institucional em meio ao colapso. Sua posição lhe dá responsabilidade, mas poucos recursos reais. Telefones falham, protocolos não ajudam e decisões que deveriam ser automáticas se tornam negociações improvisadas. A autoridade existe no papel, mas é constantemente desafiada pelas circunstâncias e pela urgência do momento.
O espaço da escola vira rapidamente um problema concreto. Corredores estreitos, portas fechadas e áreas mal sinalizadas interferem diretamente nas chances de fuga. O filme insiste nesse detalhe físico: não é apenas o fogo que ameaça, mas a arquitetura que limita opções e encurta o tempo disponível. Cada tentativa de mudança de rota envolve risco imediato e expõe falhas que estavam ali muito antes do incêndio.
À medida que a tensão cresce, surgem também suspeitas e acusações entre as próprias personagens. Algumas decisões passam a ser questionadas, e a dúvida sobre a origem do incêndio adiciona uma camada de desconfiança ao caos. Fahad não transforma isso em mistério tradicional, mas em ruído humano: a crise não une automaticamente, ela também fragmenta, atrasa e enfraquece respostas coletivas.
O suspense do filme não depende de grandes viradas, mas da acumulação de obstáculos pequenos e muito concretos. Um equipamento que não funciona, uma porta que não abre, um grupo que hesita segundos demais. É nesse acúmulo que “Alarme de Incêndio” encontra sua força, usando o tempo como pressão constante e deixando claro que, em situações extremas, organização vale mais do que coragem.
Sem usar melodramas ou sentimentalismo, o filme aposta na observação direta do comportamento sob estresse. Khalid Fahad mantém a câmera próxima dos personagens, acompanhando ações práticas e reações imediatas, o que reforça a sensação de confinamento e urgência. Não há espaço para grandes explicações, apenas para escolhas feitas rápido demais e com informação insuficiente.
“Alarme de Incêndio” funciona melhor quando evita o excesso e confia na simplicidade do cenário: pessoas comuns tentando sair de um lugar que, de repente, se torna hostil. O drama é tenso, seco e eficaz, interessado menos em respostas finais e mais nas consequências imediatas de cada decisão tomada sob pressão.
Filme:
Alarme de Incêndio
Diretor:
Khalid Fahad
Ano:
2022
Gênero:
Drama/Suspense
Avaliação:
8/10
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Fernando Machado
★★★★★★★★★★
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